Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Infante D. Henrique

Nascido a 4 de Março de 1394, no Porto, o Infante D. Henrique foi o terceiro filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre. O Infante foi baptizado na Sé Catedral do Porto alguns dias depois do seu nascimento, tendo sido o seu padrinho o Bispo de Viseu. Os seus pais deram-lhe o nome Henrique possivelmente em honra do seu avô materno, o duque Henrique de Lencastre.
D. Henrique desde muito novo recebeu uma forte educação moral e religiosa.
Dedicou-se muito ao estudo das Matemáticas, e em especial ao da Cosmografia, quando estas ciências apenas começavam a ser conhecidas na Europa, e que ele fez cultivar em Portugal. Foi devido a esses estudos, ás meditadas informações que alcançou de seu irmão D. Pedro, que viajara na Europa e na Ásia, e à leitura dos escritores antigos, que no seu espírito se formou a certeza de que ao norte do Senegal, então considerado braço do Nilo, existiam povos hereges, que comerciavam entre si. Levar a luz cristã ao espírito desses povos e colher fruto do seu comércio, foi o grandioso plano do Infante.
Desde a sua infância tivera sempre sonhos a níveis: científicos, queria saber como eram as Terras do sul das Canárias e do Cabo Bojador, comunicacionais, desejava encetar relações comerciais com povos da costa Ocidental Africana, religiosa e ou político, ambicionava espalhar a fé cristã, assim como um "instrumento" de promoção de grande poder económico e político do país e ainda a nível geopolítico tinha por fito saber onde se estendia o poderio dos mouros do Norte de África.
Deste modo face à sua ânsia D. Henrique contava apenas 21 anos de idade quando D. João I determinou armá-lo cavaleiro e aos seus dois irmãos D. Duarte e D. Pedro, com as festas publicas de grande solenidade, segundo o costume daqueles tempos. Mas o infante D. Henrique desejava antes receber as armas em verdadeira guerra, para onde o arrastava a sua inclinação e valor. O monarca louvou-o muito, e quando se pensou na tomada de Ceuta, a maior e a mais fortalecida praça de toda a Mauritânia, os três infantes tomaram parte, distinguindo-se na renhida batalha realizada em 21 de Agosto de 1415, sendo e infante D. Henrique quem ainda mais se distinguiu. Foi o comandante da frota do Porto, e o primeiro que saltou em terra.
Após a conquista, foi armado cavaleiro, na mesquita de Ceuta, por D. João I, seu pai, juntamente com seus irmãos D. Duarte e D. Pedro. No regresso, foi-lhe doado o ducado de Viseu. Em 1416, D. João I encarrega-o dos negócios de Ceuta e da defesa marítima da costa algarvia contra os ataques dos piratas mouros. Em 25 de Maio de 1420, D. Henrique foi nomeado governador do Algarve e dirigente da Ordem de Cristo, cargo que deteria até ao fim da vida. Tornou-se um fervoroso cristão. No que concerne ao seu interesse na exploração do Oceano Atlântico, o cargo na Ordem foi também importante ao longo da década de 1440. Isso se deve ao fato da Ordem controlar vastos recursos, o que ajudou a financiar a exploração, a verdadeira paixão do príncipe. A primeira honraria permitia-lhe viver na mais austral das províncias portuguesas, a segunda obrigava-o, aos 26 anos, a uma vida de celibatário, ou seja, uma vida de solteiro. D. Henrique instalou-se em Lagos, a poucos quilómetros do cabo de S. Vicente, e daí comandou toda a sua empresa.
As motivações e os objectivos das navegações que ordenou têm sido muito discutidas e muito diferenciadas. O que não há dúvida é que o Infante D. Henrique foi o condutor da expansão ultramarina, com as motivações e os objectivos a terem uma evolução natural.
A partir de 1422, o Infante envia todos os anos barcos a explorar a costa africana, estudando os ventos e correntes e as novas formas de navegação no mar alto. Em 1426 passa-se o Cabo Não e em 1427, no regresso de uma viagem, levados pelo vento, os navegadores chegam à parte oriental dos Açores, cujas ilhas logo vão ser povoadas. Vão-se aperfeiçoando os instrumentos náuticos, como o astrolábio e o quadrante, bem como cartas de marear mais perfeitas. Em 1434, Gil Eanes passa o Cabo Bojador, pondo fim à lenda do Mar Tenebroso e abrindo novas perspectivas ao avanço das navegações, que vão prosseguir em grande ritmo.
O Infante morreu a 13 de Novembro de 1460 em Sagres doando toda a sua herança a D. Fernando, filho do seu irmão D. Duarte a quem tem grande carinho devido ao facto de o ter adoptado.
O Infante D. Henrique é uma das figuras mais marcantes da nossa História, sendo igualmente uma figura da humanidade.

Cronistas e historiadores retractam-no como uma pessoa exemplar, cruzado, piedoso, um sábio da ciência com especial queda para a Matemática e para as suas aplicações à ciência náutica. As pessoas chegaram mesmo a considerá-lo fantasista quando obrigou Gil Eanes a dobrar o cabo Bojador, supostamente já com o secreto propósito de ir até à Índia.

 

 

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
 
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
 
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!”
 
                                               Fernando Pessoa

 

por Paulo Guilherme Peixoto

 
Publicado por Imperiopt às 22:43
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1 comentário:
De afronauta a 15 de Janeiro de 2008 às 17:52
E continua por cumprir!

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