Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

Descoberta da Terra Nova

”Um capitão avista terra. Alguns dos seus marinheiros choram emocionados. Um deles coloca a mão sobre o peito e diz:
- Que bom voltar a ver-te. Obrigado meu Deus.
E uma pomba branca voa sobre a embarcação.”

 

         A 10 de Julho de 1499, a nau de Nicolau Coelho chega a Cascais, trazendo consigo a boa nova: a descoberta do caminho marítimo para a Índia que permaneceu em segredo até à chegada de Vasco da Gama (dois meses depois, após ter ficado retido nos Açores devido à doença e morte do seu irmão Paulo da Gama). “O ambiente em Lisboa é de euforia e de paixão de se ser português.”

 

                                    

 

         As notícias dos novos mundos eram fascinantes, e como tal, como sempre foi, os portugueses têm o dom de sonhar sempre mais alto. Gaspar Côrte-Real, com o desejo de descobrir novas terras, partiu para ocidente-norte. Após vários dias de navegação, acabou por chegar a uma terra bastante fresca e repleta de árvores, designada presentemente de Terra Nova. Depois abordou outras regiões seguindo ao longo da costa do Norte da América voltando para Lisboa com o objectivo de colonizar a ilha que descobrira. Voltou a partir em Maio de 1501 (desconheço se terá levado colonos portugueses) e nunca mais voltou. O seu irmão Miguel Côrte-Real, partiu à sua procura em 1502, e também nunca mais voltou. Um terceiro irmão, chamado Vasco Eanes quis ir ao encontro dos seus irmãos com duas naus, mas o rei D. Manuel não permitiu. 

                                   
        A questão coloca-se: O que é que aconteceu às naus portuguesas? 

       Na realidade, Gaspar não terá sido o primeiro português e Côrte-Real a colocar os pés na Terra Nova, pois João Côrte-Real (pai de Gaspar, Miguel e Vasco Eanes), terá explorado terras Norte-Americanas por volta de 1472. E é também de referir que os navegadores João Fernandes Lavrador e Pêro de Barcelos teriam chegado à Gronelândia e Terra Nova em 1495.

 

                     

                                                      Terra Nova


”- Devem existir por essas terras do norte, dragões capazes de queimar e devorar os nossos barcos num único instante. - comentava um Fidalgo em Lisboa.”

       Enquanto confirmava-mos as datas e acontecimentos com informação presente na Internet, deparei-me com informações que davam uma continuidade a esta história. Existe uma pedra com 40 tonelas, que esteve dentro de água até 1965 na margem esquerda do Rio Taunton, situada numa região a sul de Boston. Esta estranha pedra estava repleta de gravações. Ao longo de vários anos, e de acordo com várias teorias, as inscrições foram atribuídas aos índios, aos fenícios e aos vikings; quando em 1918 foi detectado na pedra o nome de Miguel Corte Real e a data de 1511 (com o 5 em forma de S, como era característico na época), e em 1951, três cruzes da Ordem de Cristo na mesma pedra. A Pedra de Dighton possui também outros símbolos nacionais como o escudo português em forma de U e o escudo português em forma de V. A pedra está presentemente no museu local. O nome na pedra é atribuído ao mesmo navegador que partiu de Lisboa, e que nunca mais voltou.
      É muito provável que o capitão Miguel Côrte-Real tenha atingido a Terra Nova e tenha seguido para sul à procura do seu irmão. O local onde está a pedra significa que as embarcações chegaram até terras norte-americanas. Há que salientar e enaltecer a coragem de todos aqueles homens que partiram para o norte e não voltaram a ver as suas terras e aqueles que mais amavam. Mas a questão permanece: O que é que lhes terá acontecido? Talvez um dia alguém descubra um “diário de bordo” algures, que conte o resto da história. 

       Na realidade quase os consigo imaginar numa noite calma de céu aberto, a olharem e a admirarem as estrelas que os ilumina vivamente, fazendo-os mergulhar no mistério de tudo aquilo, num silêncio profundo e mágico, relembrando-lhes os seus melhores momentos. Portanto, lembrem-se que a nossa história não se faz apenas no presente, mas também se faz no passado, é só necessário encontrar as peças do puzzle e saber colocá-las no local certo.
João Vaz Corte Real e Álvaro Martins Homem efectuaram viagens no Atlântico Norte, no entanto desconhecem-se pormenores. Quando chegaram à ilha Terceira nos Açores, o capitão da ilha tinha desaparecido. Através de um pedido dos navegadores, foi-lhes entregue a ilha, que foi dividida em duas capitanias.
      Em 1492, João Fernandes Lavrador e Pêro de Barcelos pedem licença para navegar no atlântico norte. Chegaram à América do Norte onde exploraram terra e ilhas durante três anos. Os mapas feitos a partir do século XVI denominam as terras a norte da Terra Nova, de Labrador. Pensa-se que se deve a atribuição ao facto de ter sido descoberta pelo navegador João Lavrador.
      Os três irmãos Corte-Real eram na realidade filhos de João Vaz Corte Real.
      A descoberta da Terra Nova por Gaspar Corte Real foi anunciada por uma nau em 1502, que chegou a Lisboa com homens e mulheres recolhidos na Terra Nova.
      Miguel partiu à procura do irmão com uma armada de três naus, que se separou na Terra Nova. A nau de Miguel foi a única que não voltou.
Em 1505, pescadores de Aveiro e Viana do Castelo pescam na Terra Nova e em 1506, famílias portuguesas emigram para a região e para outros pontos da costa do Canadá.
      Em 1574, o rei D.Sebastião nomeia Manuel Corte-Real (neto de João, que era filho de Vasco Eanes Corte-Real que foi impedido pelo rei D. Manuel de procurar os irmãos) como capitão da Terra Nova.

 

            

            Gaspar Corte Real                           A Pedra de Dighton

 

 

 

Texto de Paulo Guilherme Peixoto e de João António Peixoto

 

Publicado por Imperiopt às 19:21
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3 comentários:
De Andreia a 23 de Janeiro de 2008 às 14:08
Quero desde já felicitá-lo pelo blog. Continuarei a visitá-lo. Apesar de estar mais ligada à Ciência sempre me interessei por História tanto mundial como nacional.
PARABÉNS!!!
De Praia da Claridade a 25 de Janeiro de 2008 às 20:05
Caro Amigo Paulo: agradeço a visita ao meu blog e as palavras lá deixadas. Por alguns motivos ele tem estado parado, mas espero continuar...
Também encontrei aqui um blog muito interessante pelo que envio os meus parabéns.
Bom fim de semana. Abraço.
De Alexandre a 26 de Janeiro de 2008 às 00:34
Parabens pelo blog, continue que portugal merece.

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